As abelhas brincam. As nossas organizações ainda sabem brincar? 

Durante décadas, os insetos foram descritos como sistemas biológicos eficientes, quase mecanizados. Organismos programados para sobreviver, reproduzir e otimizar recursos.

Mas um estudo publicado na revista Animal Behaviour revelou algo surpreendente: o bombus terrestres, uma espécie de abelha conhecida por abelhão e comum em toda a Europa, empurra bolas de madeira repetidamente… sem qualquer recompensa.

Sem alimento.
Sem benefício funcional.
Sem treino.

Apenas porque, aparentemente, é prazeroso.

A investigação conduzida na Queen Mary University of London mostrou que as abelhas regressavam às bolas mesmo depois de saciadas. As mais jovens brincavam mais e os machos envolviam-se mais tempo na atividade. O comportamento cumpria os critérios científicos de “brincadeira”: voluntário, espontâneo e sem finalidade imediata.

Se até as abelhas, símbolo máximo de eficiência produtiva,  reservam espaço para o lúdico, que implicações isto tem para a liderança?

No livro que publiquei: Neolíderes, Helicópteros e Abelhas, apresento a abelha como arquétipo da interdependência, inteligência coletiva e polinização de ecossistemas.

A abelha não controla o sistema. Ela participa nele.
Não domina o território. Regenera-o.

E agora sabemos que também brinca.

Que ensinamentos podemos retirar para a liderança?

  1. Complexidade não é mecanicismo
    As organizações não são máquinas. São sistemas vivos e os sistemas vivos prosperam quando há espaço para experimentação.
  2. O lúdico não é improdutivo
    O comportamento exploratório aumenta a plasticidade cognitiva, adaptabilidade e inovação. A brincadeira é um laboratório evolutivo.
  3. Regeneração exige bem-estarA performance sustentável não nasce de pressão contínua, mas de ciclos inteligentes de esforço e recuperação.
  4. Sentir é estratégicoSe os insetos podem experimentar estados positivos, a ideia de que emoção é fraqueza na liderança torna-se obsoleta.

Liderar como quem poliniza

Na DeRose Method Nature, trabalhamos liderança como uma prática ecológica, potenciando:

conexão com ritmos naturais

inteligência emocional integrada

visão sistémica

regeneração como métrica de sucesso

Talvez a verdadeira pergunta não seja se as abelhas brincam.

Talvez seja:
as nossas organizações ainda sabem brincar?

Porque onde não há curiosidade, não há inovação.
Onde não há prazer, não há sustentabilidade.
E onde não há regeneração, não há futuro.

Referências para saber mais:

www.derosemethodnature.pt

Galpayage, S. et al. (2022). Object play in bumble bees. Animal Behaviour.

Lars Chittka (2022). The Mind of a Bee. Princeton University Press.

Perry, C.J. & Chittka, L. (2016). Bumblebees show cognitive bias. Science.

Queiroga, Ana Paula (2023). Neolideres, Helicópteros e Abelhas. Editorial Moura Pinto. ISBN: 978-989-33-4779-9.

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